04/03/2010, por Rui Nogueira
Dinheiro é a própria riqueza e não uma representação dela. Esta é a mentalidade divulgada no século XX.
Assim, o enredo de vida das populações foi centralizado em ter dinheiro. A própria atividade profissional é desvirtuada e não vale a realização, o crescimento como pessoa equilibrada e harmônica mas o sucesso traduzido em ganhar muito dinheiro seja lá como for.
Nestas pessoas invertem-se os valores e desaparece a ética.
Existe um exemplo ilustrativo para esta trágica realidade: o traficante de drogas. Eles têm consciência de todos os efeitos e malefícios que ela acarreta porém, vendê-la é a sua maneira de ganhar dinheiro. Eles não admitem nenhuma interferência em seus negócios e o defendem até com armas.
Nesta linha, o próprio papel pintado virou mercadoria e se alguém, por exemplo, ganha na loteria, não se interessa por ingressar em atividades produtivas, pensa, apenas, em “aplicar”. Chegamos à situação de comprarem dólar (papel pintado) para guardar e ganhar na valorização. É a situação do dinheiro transformado em mercadoria.
Encontramos no exterior e no Brasil empresas consolidadas, fabricantes de produtos de grande aceitação, com ampla participação no “mercado”, portanto, com rendimentos importantes, no exercício do papel da empresa de produção ao movimentar as riquezas e abrir um leque de oportunidades de trabalho para um bom contingente de trabalhadores criarem os seus filhos com dignidade. Entretanto existem as que são levadas, pela ganância, a se desviarem da linha do equilíbrio e do bom senso mergulhando, desnecessariamente, no jogo das “aplicações”.
Gestores, principalmente os da área financeira, têm remuneração muito elevada (milhões) e foram absorvidos pelo “ficar muito rico a qualquer preço” daí as fraudes que têm surgido em grandes empresas e a forte participação na “bolha” de ciranda financeira. Vale salientar que, se estamos ante uma empresa em franca produção e equilibrada, por que entrar no “jogo” dos derivativos?
No Brasil há uma empresa muito sólida, com efetiva participação no mercado que resolveu, não sei o porquê, colocar ações na bolsa de Nova York. O administrador financeiro engolfado pela busca dos lucros crescentes resolveu aplicar o faturamento previsto para mais de um ano no jogo dos mercados futuros afinal de contas o seu “recebível” previsto era forte.
A inchação dos valores dos títulos (bolha) produziu um acumulado muito maior que o fluxo de caixa e até os bens da empresa.
Estabelecida a crise da falta de numerário para honrar os compromissos criados em função do jogo das valorações hipertrofiadas e fora da realidade, a empresa entrou em dificuldades.
Para agravar o problema, dois grupos de acionistas americanos estão processando a empresa brasileira por que ela não estava autorizada a aplicar na ciranda financeira mais de seis meses do faturamento previsto. Por isso, a nossa estável e séria empresa está sendo cobrada, na justiça, em um milhão de dólares.
Aos parasitas lá dos infernos, aos gestores desmiolados nada? -TUDO!
Toda a assistência dos falsos governos.
Aos empregados, os produtores agregados, empregos indiretos, nada? TUDO de ruim!
Desemprego, arrocho, diminuição absurda de salários.
Resistir é preciso!
Rui Nogueira
Médico, pesquisador e escritor.
rui.sol@ambr.com.br