Notícia

Perversa segregação em Roraima

22/04/2009, por Izidro Simões

No dia 09 de abril/2009 às 10:00, o Deputado Federal ALDO REBELO (PC do B) deu longa entrevista à RÁDIO FOLHA, na capital roraimense. Marcou a sua posição CONTRA a área contínua, por entender perfeitamente que ela é fruto de uma gigantesca fraude, bem como por semear separativismo entre brasileiros, colocando índios contra índios, índios contra não índios, e não índios contra índios.
Como sua posição contrária à PERVERSIDADE que se cometeu em Roraima com a homologação da área contínua, já está bastante conhecida, a direção roraimense do PC do B fez publicar na primeira página do jornal FOLHA DE BOA VISTA do dia 08 de abril, um duro comunicado contrário ao Deputado ALDO REBELO e por sua posição divergente da maioria cega das esquerdas brasileiras.
Após a entrevista, o Deputado e sua comitiva foram de avião para SURUMU, onde ouviu com grande paciência, atenção e emocionado, o relato das pessoas “brancas” nascidas ali e que ficaram sem nada, não sabem o que fazer de suas vidas brutalmente interrompidas, não tem para onde ir e nem recursos financeiros para levarem suas mudanças e recomeçarem a vida, aos 60/70/80 anos.
Depois que muitos já tinham falado por horas seguidas e quando Aldo Rebelo já dava mostras de grande cansaço, o pastor indígena que de certa forma liderava a pequena população local, perguntou se alguém mais tinha algo à declarar.
Então, para total surpresa de todos, ARNULF BANTEL, hoje sendo comandante do avião que tinha levado Aldo Rebelo e sua equipe de filmagem, e que foi OFICIAL AVIADOR da FAB, residindo em Roraima há mais de 20 anos, levantou a mão e pediu para falar.
Ninguém entendeu quando aquele gaúcho alto, branco, de olhos azuis, filho de alemães, pediu para falar. Mirando fixamente o Deputado, disse com firmeza:

“Deputado, estou aqui com a autoridade de ser casado com uma índia macuxi e de ter uma filha com ela. Ela é lourinha como aquela criança ali (apontando para uma menina macuxi, também de cabelo loiro). Agora pergunto, Deputado, a minha neném, é índia ou é branca? Como é que fica esta situação? Nas atuais circunstâncias daqui de Roraima, vou ter de me separar de minha mulher e de minha filha? Não vou mais poder visitar minha sogra e meus cunhados, que moram na maloca? Minha mulher e minha filha também não vão mais poder ir até lá? Veja o absurdo das ideologias religiosas e políticas que forjaram isto tudo que estamos vivendo. Veja como religiosos italianos conseguiram causar esse tremendo drama social, familiar e político nesta terra, acompanhados por outros interesses que já são conhecidos”.
Encerrou, agradecendo ao Deputado, por ter escutado. Nem seria preciso dizer do incrível impacto que sua narrativa causou, mas é preciso contar, porque foi tão estupendo, que ninguém teve ação alguma, um gesto imediato, sequer. Ficaram todos como que petrificados num grande silêncio, até que Aldo Rebelo, visivelmente espantado (possivelmente abalado), começou a bater palmas, no que foi acompanhado por todos, num aplauso forte e demorado.

Fonte: izidropiloto@oi.com.br

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