Notícia

Entrevista com Fernando Siqueira - Presidente da Aepet - Sobre o pré-sal

17/08/2009, por Ana Cleide Pacheco

“O Brasil não tem petróleo para exportar”. Essa é uma afirmação do presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Fernando Siqueira, após a descoberta de nova reserva de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, anunciada pela Petrobras e que tem levantado muitas discussões a respeito de sua exploração e monopólio.

“O país não pode exportar petróleo porque não tem reservas para isso. O Brasil tem que guardar as reservas que tem e procurar investir maciçamente em fontes alternativas, afinal, trata-se do único país do mundo que tem mais condição de substituir petróleo por energias renováveis”, afirma.

Ele esclarece que o país tem 14 bilhões de barris de petróleo de reserva. “Supondo que esse campo dê até 10 bilhões (de barris) de reserva, com muito otimismo, seriam 24 bilhões de barris. Isso não é nada. Dura apenas 13 anos. Agora, a auto-suficiência acaba em menos de dez anos, mesmo com essa descoberta”, revela.

Com a mexida na Constituição, efetivada no governo Fernando Henrique, e a posterior quebra do monopólio pelo artigo 26 da Lei 9478/97, o país passou a correr enorme risco de perda do controle de um bem de alta importância estratégica. A Lei 9478 criou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para regular o setor e, teoricamente, defender o interesse da sociedade brasileira, mas temos assistido exatamente ao inverso.

Fernando Siqueira tem feito palestras por todo o país onde apresenta ao governo algumas propostas em relação ao pré-sal. Entre elas estão: a retomada do controle do petróleo pela união, levar à participação da união dos atuais 0 à 40% para 84% (média do que recebem os países exportadores), que a Petrobrás fosse contratada para inventariar o pré-sal (saber quanto tem e onde está o petróleo)

O presidente da Aepet ressalta, ainda, os perigos dos leilões. Segundo ele todos os países desenvolvidos estão sem petróleo, se abrir o leilão significa que as empresas desses países virão em massa para o Brasil explorar o máximo possível do petróleo brasileiro. Outro agravante é o cartel internacional das sete irmãs.

“Esse cartel tem um poderio econômico brutal e há 150 anos domina o setor com mão de ferro. O sete irmãs já teve 90% do controle das reservas mundiais e hoje têm 3%. Nessa condição eles estão ameaçados de extinção. Para sobreviver precisam de reservas e o pré-sal é um alento muito bom. Por isso se abrirmos os leilões todas essas empresas virão para cá e teremos vários inconvenientes e o pré-sal terminará em 13 anos”, informa.

Siqueira, afirma que a geração futura precisa do pré-sal para o desenvolvimento de outras fontes de energia. "Ainda têm um crime grave que é o de tirar um bem da nossa geração futura. Pois se o pré-sal for produzido dentro de uma estratégia correta ele pode durar 40 anos. Tempo suficiente para o Brasil desenvolver energia substituta do petróleo, que é a biomassa. E o país tem mais condições do que qualquer outro do mundo. Isso porque nós temos o trinômio fundamental: terra, água e sol para desenvolver a biomassa", finaliza.

Nota da Redação do Amigo Patriota - Por Rui Nogueira

Amigo Patriota sente-se honrado com a entrevista de Fernando Siqueira que está no rol dos brasileiros extraordinários que dedicam a sua vida na missão, no seu próprio trabalho diário, de defender a soberania nacional e buscar transformar o nosso país num lugar bom de viver e criar os filhos com dignidade.

A Petrobras com o monopólio estatal e empenho dos brasileiros derrubou a falácia de que não havia petróleo no nosso território, desenvolveu tecnologias com nossos jovens e universidades e nos trouxe para a autosuficiência.

Porque não permanecer a Petrobras 100% estatal, com o povo brasileiro?

Há exemplo de empresas inicialmente mistas que o grupo minoritário, com a presença de estrangeiros, fez acordo de acionistas e assumiu o controle da empresa, como aconteceu, por exemplo, com a SANEPAR – Paraná, reconquistada, na Justiça, pelo governador Requião.
Como manteremos o controle do nosso interesse com os bancos de dados da ANP nas mãos da Halliburton, como já foi denunciado pela própria Aepet?

Porque enviar para o exterior resultados que podem e devem ficar no país para investimentos?

Temos que estar atentos. Resistir é preciso!

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