Notícia

Mãos para o Alto

10/05/2009, por Rui Nogueira

Mãos para o alto

O quadro é uma pintura que ilustra um poema de Agostinho Neto (Angola). As árvores são imbondeiras.É uma arte que pode expressar o desespero redobrado dos vestibulandos neste ano: mãos para cima como que buscando uma força superior que talvez possa ajudar ou criar alguma quota com facilidades, a dos que têm orelha em abano, ou dos portadores de cicatriz no braço,ou seria pela presença de mancha de nascença, e por que não a do grande grupo dos desdentados (desassistidos).
Jovens na hora da busca de caminhos, hora da construção do enredo de vida. Jovens mergulhados na aflita dúvida: conseguirei seguir o caminho de minha escolha?
No lugar do estímulo ao estudo, da ascensão pelo mérito, da perseverança e do maior esforço instalaram uma criminosa balbúrdia nesta história de vestibular e vagas nas faculdades.
Às vésperas das provas e as regras do concurso ainda não estão definidas. A cada dia aparece uma nova versão para o esquema de exames. Isto quase na hora da sua realização!!! Isto é, no mínimo, um desrespeito à situação dos vestibulandos! Somente quem tem um filho nesta fase compreende a angústia que impera, agravada pelas indecisões. Realmente, no Brasil, vivemos sob o regime do surrealismo, com ausência de decisões refletidas e encadeamento lógico das coisas.
Num país com intensa miscigenação, como o Brasil, tumultuam os procedimentos e procuram tirar das nossas Universidades o critério do mérito que vigora na maior parte do mundo, o que leva a situações que beiram o ridículo como a dos irmãos gêmeos segregados por critérios que ladeiam as classificações em concursos raciais de animais quando decidiram que um teria direito à quota e o outro não. Ora vejam!
Que dizer quando nos exames de classificação um aluno tem média elevada mas é substituído por outro por critério de quota racial? Como se sente a jovem que perdeu a sua vaga para um quotista com a média 20 pontos menor?
Será que chegaremos ao ponto de termos a classificação por grau de” pureza racial”? Talvez o único exame exigido passe a ser o de DNA.
O preparo para enfrentar as provas do vestibular leva anos. Como mudar as regras na véspera?
Vejam os discursos: prioridade para a educação. Incentivo à escola pública. Temos que resgatar passados e dar chance aos excluídos. Esta é a conversa, mas em realidade, pelo menos até há pouco tempo, nós não tínhamos segregação neste país.
È lamentável a “separação” que estão esboçando entre os brasileiros: índios e não-índios,negros e não-negros.
A nossa sociedade tem desassistidos sociais e não segregados raciais. A quem interessa esta situação de conflitos que está se criando?
A nossa escola pública está sendo desmantelada. Por quê? Nela estão, em maioria, os desassistidos sociais. É justo?
Poderemos fortalecer as escolas públicas sem preconceitos?
Como criar oferta de vagas sem discriminações?
Não é possível que para fazer vigorar critérios de exceções, haja uma divisão de vagas.
Que as Universidades Públicas destinem quotas para os egressos das escolas públicas, não soa como injustiça mas por que não fazê-lo com aumento de vagas?
Percebam a angústia dos jovens querendo estudar, qualificar-se para uma profissão e ver-se colocado ante uma colossal concorrência e ainda com regras confusas.
Vejam um exemplo concreto. Há 50 anos a Escola de Medicina e Cirurgia do RJ, hoje UNI-RIO, ofereceu 120 vagas para 2000 candidatos. Era ainda a época das brigas dos excedentes. Muitos alcançavam a média de aprovação mas as vagas se esgotavam. Para evitar as brigas judiciais estabeleceram o atual sistema de “corte” que considera aptos apenas os com as médias correspondentes às vagas.
Pois bem. A Uni-RIO, no último ano, para medicina, ofereceu 140 vagas para 5896 inscritos no vestibular. O número de candidatos triplicou mas o de vagas variou muito pouco, ainda, com o tumulto das quotas.
Por que não estabelecer quotas com o aumento do número total de vagas? Que venham os egressos das escolas públicas sem discriminações. Isto não soa como injustiça.
QUOTA EXIGE AUMENTO DAS VAGAS
NUNCA A SUA DIVISÃO
E não me digam que não há recursos. É só analisar os Orçamentos Federais para constatar que , do arrecadado mais de cinqüenta( 53,21%) por cento do total é destinado ao pagamento de juros da dívida( em grande parte financiamentos desnecessários no exterior). Para a Educação destinam 1,74%, Saúde 3,49% e Saneamento (0,00%) para fazerem as obras financiadas pelo exterior. Isto é improbidade administrativa!!!!
Que criminosa administração política que compromete o futuro, a saúde, e a educação do nosso povo! Para os juros CINQUENTA VEZES MAIS QUE PARA AS ATIVIDADES ESSENCIAIS.
Que venha a Avalanche Jovem para reverter este quadro.
Eu, você, nós podemos inundar todas as rádios, jornais, estações de televisão, locais públicos, as escolas, as faculdades, os pais, os amigos, os estudantes, ao menos um parente,amigo ou professor com a vigorosa idéia de futuro e integração no Brasil com bilhetes ,recados, mensagens ,manifestações.
QUOTA EXIGE AUMENTO DAS VAGAS
NUNCA A DIVISÂO DAS EXISTENTES
Como os políticos e gestores poderão ser sensibilizados?
Os indiferentes merecerão uma forte campanha do Voto Zero
Nós podemos fazer.
Ninguém pode se omitir
Resistir é preciso.

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