09/05/2009, por Rui Nogueira
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Montadora de veículos tem facilidades para se instalar, isenção de impostos, ganha na venda do seu produto, no financiamento próprio que faz e no “jogo” dos mercados de recebíveis. Ganham tudo isto enquanto o consumidor geme para cumprir os seus pagamentos. Elas constroem fortunas a partir do nada (ordens virtuais de computadores).
Merecem ser ajudadas sem ninguém ser punido pelas especulações?
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Rui Nogueira
Nos jornais diários, quantas páginas estão ocupadas por anúncios de carros?
O telespectador nunca liga a sua televisão sem ver ao menos uma propaganda de carro.
O sistema de transporte brasileiro privilegia as rodovias em detrimento das hidrovias e ferrovias mais baratas.
Adquirir um carro se transformou em uma meta de vida para muitas pessoas.
As montadoras vieram para o Brasil em meio aos privilégios, com incentivos fiscais por muitos anos e subsídios de vários tipos. A Fiat, por exemplo, recebeu o seu terreno em Minas Gerais por preço simbólico.
A Ford, no Rio Grande Sul, no instante em que acabava os incentivos fiscais tratou de mudar de estado para recomeçar as regalias.
Não existe nenhuma preocupação com o índice de nacionalização que é uma forma de incentivar as nossas fábricas (pelo menos em componentes) e realmente criar empregos.
A automatização (que desemprega muitos) é descontrolada e, atualmente, a Volks, por exemplo, tem setores da sua linha de montagem terceirizados o que acarreta remessas para o exterior em função dos pagamentos de direitos e serviços.
A montadora fabrica o seu carro e, no instante em que o vende, todos os seus custos de produção são contemplados. Portanto, aufere o seu lucro.
Durante um bom tempo, as vendas no varejo eram financiadas por bancos e até pelo próprio revendedor que tivesse recursos. Agora, as fábricas resolveram, elas mesmas, por meio de subsidiária própria, financiar os seus veículos.
Que coisa incrível! Negócio excepcional!
Vende o carro, recebe o valor que paga todos os custos de produção e os lucros estabelecidos pela fabricação.
O financiamento do veiculo por ela fabricado vai permitir receber prestações que somadas chegam a representar o valor de até mais de um carro.
Compre 1 pague 2 é a regra geral.
Isto é absolutamente injusto.
O financiamento deveria existir para facilitar a compra do veiculo em que o fabricante recebe as partes que lhe cabem pela produção do bem, dando continuidade ao negócio.
Não satisfeitos com o lucro da fabricação e o sobre lucro pelos financiamentos, as empresas reúnem os carnês e boletos das prestações que serão pagas pelos compradores e os transformam em “recebíveis” numa carteira de títulos que os bancos logo divulgam serem “lastreados” para colocá-los no jogo do “mercado” de títulos. Um aplicador compra o titulo, a esta altura transformado em ordem de computador para aplicação no “mercado”, por 20, para reaplicá-lo e obter 25 pela venda. Por sua vez, ele chegará a 30 na próxima aplicação para, em várias seqüências, atingir, por exemplo, o valor de 80. Acontece que o dinheiro não viajou com as aplicações. Houve apenas ordens que são transmitidas com a velocidade da luz e, em realidade, o titulo tem um valor nominal de 10, em cima da sua primeira aplicação. Agora, um investidor tem uma ordem de pagamento na mão com um valor de 80. Porém, o titulo original, no mês do seu pagamento, será resgatado pelo seu valor na operação de financiamento: 10 (dez).
E a diferença encontrada nas ordens de pagamento emitidas por computador? Não existe dinheiro. Tudo fictício, sem real correlação com a produção de riquezas. Bolha de sabão, enorme e com pouco sabão.
Os gestores e administradores das grandes empresas propagaram para si uma auréola de seres extraordinários, altamente capacitados e estabeleceram altíssimos salários que precisam ser justificados aos acionistas e isto não é possível ser feito apenas com as lucratividades normais de uma empresa.
Por isto inventaram uma “produtividade” que representa desemprego, tarifas altas, automatizações desnecessárias, diminuição em tamanho e qualidade dos produtos, com baixas nos custos que nunca revertem para o benefício do consumidor. Tudo fica no âmbito da avidez de lucros dos acionistas e “gestores”.
Nestas operações de “mercado” que hipertrofiam os títulos de “recebíveis” atraindo “investidores” com suas economias, quanto os gestores e os financistas conseguiram sugar, fazendo fortunas, criadas do nada pois tiraram dinheiro de ordens de computador por eles mesmos super valorizadas. Eles deveriam ser identificados para devolverem o que tiraram do nada.
O nada merece apenas o nada.
É justo transferir tudo para a população? Devem ser ajudados? Por quê?