Artigo

PCB e Demarcação Indígena

07/07/2008, por Lobato Brasilis

O Partido Comunista emitiu nota sobre a demarcação das terras indígenas na Reserva da Raposa do Sol.

O título afirma que o PCB se posiciona pela vida e contra o capital. Trata-se de uma nota inconsistente com postura vaga, carente de conceitos bem definidos e informações dentro da realidade. A sensação é a de que o problema deveria ser, antes, melhor estudado para não cair na redundância das frases feitas dos meios de comunicação dominados pelas transnacionais (capital).

A nota tem item dúbio, incoerente, e endossa toda a política do imperialismo realizado na Amazônia por Ongs e até projetos diretamente controlados pelo G-7 (sete países mais industrializados).

Valia a pena consultar a história e verificar que na África e no Oriente a estratégia, principalmente, dos ingleses sempre foi o dividir para dominar e reuniram tribos e comunidades inimigas numa mesma área ou em países recém libertados do colonialismo, para manter um clima de luta e rivalidades,propício para facilitar a dominação. Cooptavam dirigentes tribais e seus filhos para serem “deslumbrados” pela civilização européia, transformando-os em ricos dirigentes e representantes locais para atuar na opressão do seu próprio povo. Com isto, as riquezas locais saem a preços vis com os trabalhadores na miséria e até escravizados o que permite a manutenção do opulento mercantilismo colonial que, em realidade, vigora até hoje.

Lideres indígenas viajam pela Europa, em turismo financiado pelas Ongs, dominadas por interesses estrangeiros como a CIR, que a CPI do Senado revelou não ter nenhum registro em organizações brasileiras (que estão infiltradas e desarticuladas), mas recebeu, no último ano, mais de 10 milhões do Governo brasileiro via FUNAI com a desculpa de assistência aos indígenas,para desenvolver a política de segregação e racismo na região. Haver um casal numa área atingida por demarcação indígena e a índia poder permanecer e o marido branco ter que sair é racismo. O PCB agora aceita racismo?

Índia que tem filho com branco não pode voltar pra a demarcação. Que absurdo, endossar a discriminação racista!

Toda a luta mundial para combater o racismo foi contra a segregação, trágica nos Estados Unidos e na África do Sul, e nós, que temos uma tradição de integração, que torna difícil distinguir um amazônida de um índio, aceitamos, agora, a atuação racista estrangeira para segregar os índios. Há uma série de frases feitas deliberadamente muito divulgadas pelo “imperialismo”, pelo G-7 e pelas organizações não governamentais ligadas ao estrangeiro sobre áreas para a sobrevivência dos indígenas e a preservação da sua cultura.

Antena parabólica, lap-tops, desvirtuamento da cultura indígena com a introdução da cultura religiosa européia ocidental até com a tradução da Bíblia para dialetos indígenas locais não é preservação da cultura, mas o desvirtuamento dela.

Quanto a área de sobrevivência e a história de viver com coleta, caça, pesca, há coisas incoerentes. Um índio caça numa área de cerca de 10 quilômetros de raio. Não vai sair para caçar uma anta a 50 quilômetros e trazê-la nas costas até a taba. Não é possível, em sã consciência, aceitar como necessidade natural de sobrevivência demarcar uma área de 100000 hectares para 360 índios inclusive já aculturados, que em fotos aparecem até usando camisa do Flamengo.

Que dizer de mais de oito milhões de hectares para 3600 índios que é o caso da reserva do rio Javari, Oeste do Amazonas, fronteira com o Peru, com 3700 índios (estimativa da FUNAI na campanha de vacinação).

Ianomâmi é uma farsa, nunca existiu, foi criado para satisfazer aos interesses imperialistas na mais rica região de minérios do planeta. A região de 96000 km², demarcada por portaria, tem hoje 3600 índios (campanha de vacinação da FUNAI) e o nióbio, essencial para os reatores de fusão nuclear, no seu subsolo.

A Raposa do Sol tem a sua demarcação baseada em laudos fraudulentos. A Coroa britânica tem feito reuniões no seu próprio palácio com governadores, senadores, deputados e empresas brasileiras e transnacionais para discutir a Amazônia!

Por que o PCB não defende títulos de terras para os ribeirinhos que vivem há várias gerações nas barrancas dos rios amazônicos?

Por que não defende a proibição das ONGs, tendo em vista que a FUNAI/FUNASA com a terceirização de seus serviços essenciais de saúde, educação e outros para estas organizações tem sido nefasta, pois a CPI do Senado mostrou que estes serviços ficaram muito piores do que os prestados anteriormente por FUNAI/FUNASA?

Os países mais industrializados não têm os minérios essenciais para as suas indústrias e, ao que parece, o PCB resolveu reforçar as teses e estratégias do G-7 para continuarem com o seu atual padrão de vida, que só pode ser mantido dominando as reservas dos bens não renováveis no mundo. “Direito dos povos originários viverem e decidirem sobre o seu futuro”, está com os índios integrados na sociedade brasileira como vereadores, prefeitos, trabalhadores, brasileiros que, inclusive, sentem-se honrados em serem convocados para o Exército nacional do Rondon, neto de índia, defendendo a integração ou dos cooptados pelas ONGs com tênis da Nike, viajando pela Europa e ávidos consumidores de bens da sociedade capitalista, defendendo propriedades particulares e ações com as transnacionais.

Falam em povos originários querendo apontar para um “direito de propriedade” milenar quando em Roraima há etnias transportadas da Guiana para o Brasil a pedido de Governo estrangeiro, em ação humanitária da FAB para evitar que fossem dizimados por tribo inimiga.

O Brasil é um país extraordinário de uma nacionalidade cósmica que mistura todas as “raças” sem predomínio de nenhuma. É a mística do povo brasileiro, ecletismo e integração, que muito bem caracterizada ante o fato de que os Macuxis e os Wai Wai no território Guiano são combatentes e inimigos mortais, mas no território brasileiro convivem pacificamente. O PCB perdeu o rumo ou foi tentado por “vantagem” ante uma adesão capitalista?

Lobato Brasilis

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