10/03/2010, por Rui Nogueira
Linda serra com matas exuberantes entremeadas por flores coloridas e o prateado das imbaúbas.
Nas encostas, muitas nascentes se encachoeiram nas descidas para o vale, sobrevoadas pelas borboletas azuis.
Avô, pai, neto, seqüências de gerações com as mãos em concha para beber a gostosa e saudável água das nascentes da serra. A nossa água.
O nosso corpo é setenta por cento de água. Ela é o bem essencial da vida.
O direito à vida, água e saúde estão no mesmo nível de importância. Qualquer política de água ou saneamento tem que estar baseada na universalização.
Toda criança, jovem, homem, mulher ou ancião tem que ter, ao seu dispor, água de boa qualidade já que ela está disponível na natureza brasileira.
Privatização é a negação da universalização. Nela, só terá o bem ou o serviço quem tiver dinheiro. Além disso, sempre representa desemprego, encarecimento dos bens e serviços com o empobrecimento do estado e da população. Basta olhar para telecomunicações, energia e bancos.
Impulsionados pelas grandes corporações internacionais divulgam um discurso de competitividade e preços baixos absolutamente mentirosos como demonstram os monopólios que se formam e os aumentos das tarifas de energia, telefones e bancos.
E a nossa linda serra? Como está?
O estrangeiro que veio morar aqui, já com filhos e netos brasileiros integrados com a nossa extraordinária raça cósmica (mistura de todas sem predomínio de nenhuma), tem as antigas e novas gerações que foram crianças saltitando nas trilhas, pendurando-se nas árvores. Há os alunos da escola, há trinta anos, tirando a sua sede com a água fresquinha da nascente. As pequenas comunidades e todos os seculares moradores que sempre tiveram o seu manancial local bem cuidado, têm que fazer uma sofrida pergunta, resultante do absurdo inadmissível da privatização:
- Posso beber minha água, “Mister” Johnny?
- Só se pagarem...
Surgiu uma empresa que se acha dona de toda água, apesar da Constituição Brasileira dizer que ela é da União.
Criam Leis espúrias para legitimar absurdos.
A empresa que se arvora dona das águas não quer apenas manifesto de mina para explorar água mas ser dona de toda a bacia hidrográfica pois se obriga a mandar lucros altos e pré-estabelecidos para os acionistas no exterior.
Neste objetivo, tudo tem que ser cobrado. Dono do terreno uma taxa pela sua nascente. Abrir um poço também tem preço. Puxar água de um rio para molhar planta exige pagamento. Até taxa de esgoto é cobrada mesmo sem estar instalado o seu tratamento.
Pagar ao estrangeiro para beber a nossa água brasileira.
Quem admite? Quem trama?
Água é o bem essencial da vida, não pode ser mercadoria. Não há porque privatiza-la e muito menos permitir domínio estrangeiro!
Água universalizada só é possível com gestão comunitária.
Reaja povo brasileiro!
Rui Nogueira
Médico / Pesquisador / Escritor
rui.sol@ambr.com.br
Rui Nogueira
Médico, Pesquisador e Escritor
rui.sol@ambr.com.br